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domingo, 31 de maio de 2015

depois de ludovico #4: Além das guloseimas, os baleiros falam!

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“Bom dia pessoal! Trouxe aqui para vocês guloseimas num preço especial. Tem bala de goma de eucalipto; pacote de cinco paçocas, de três saquinhos de jujuba, e tem também a torradinha crocante sabor churrasco. Tudo isso, por apenas um real cada um!”

Quem costuma circular pela Grande Vitória de coletivo já foi abordado por essas guloseimas, oferecidas em pacotinhos pendurados em ganchos improvisados ou caixas de papelão. E tudo pelo humilde um realzinho.



As ofertas são as mesmas e chegam, às vezes, num intervalo de duas ou três paradas. Vendedora jovem, mãe; vendedor criança, adulto já com barba branca. Quando vejo um deles ocupando o corredor, me pergunto de onde vieram essas pessoas e por que elas trabalham com venda de guloseimas nos coletivos. Uma pessoa matou a minha - e talvez a de vocês - curiosidade mínima pela vida alheia, e fez um documentário sobre fulanos, sicranos e beltranos vendedores do Transcol nosso de cada dia.


O ato de enxergar

Cineasta recém-formada pelo curso de Audiovisual da Ufes, Naiara Bolzan é de Venda Nova do Imigrante. Quando veio morar em Vitória, ela se surpreendeu com o ritmo da capital. Nunca havia tido contato com essa movimentação e intervenções urbanas; e, portanto, se encantou com o transporte coletivo, com os artistas de rua, com os vendedores de bala: “Eram situações diferentes. E eu comecei a olhar as coisas com outro olhar”.
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terça-feira, 10 de março de 2015

depois de ludovico #3 Documentário mostra o real mundo do Candomblé

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“[...] Ogum desceu sobre o campo de batalha como um vendaval, nada deixando à sua frente, pois que ignora qualquer barreira e é conhecido como o que vai primeiro. Na sua frente, sobre um morrote verde, um grupo de soldados combatia em torno do estandarte da Segunda Companhia de Zuavos dos Voluntários da Pátria, da Ilha de Itaparica, estandarte mantido no ar pelo sargento Matias Melo Bonfim, feito de Ogum desde o sete anos, um de seus filhos mais valorosos. Vinha de Amoreiras, onde florescem os mimos-do-céu e os passarinhos cantam mais. Deixara seus dois filhinhos, Matilde e Baltazar, sua mulher Maricota e sua roça de milho e feijão, deixara sua mãe viúva e sua criação, prometendo voltar assim que ganhasse a guerra [...]”


É assim que o escritor baiano, João Ubaldo Ribeiro, narra a Guerra do Paraguai na obra Viva o povo brasileiro. Além de Ogum, outros Orixás protegem seus filhos soldados e, juntos, lutam pela vitória contra o país sul-americano.

Durante toda a obra, na verdade, os deuses do Candomblé estão no enredo daquele povo brasileiro - e verdadeiro - construído por Ubaldo. A história de nosso Brasil colonizado, afinal, começou na Bahia e tem forte participação dos escravos africanos que chegaram por aqui. A inferiorização da cultura negra, no entanto, distorceu informações e criou paradigmas. 


O Candomblé é um exemplo disso. Religião de matriz africana, é também nacional, com 167.363 brasileiros adeptos, segundo o Censo IBGE de 2010. Ainda assim, seguidores são vítimas de um ódio e medo imaginários, formados pelo desconhecimento popular e pela padronização midiática.


“E é um preconceito muito enrustido. Será que é por ser uma religião que veio do negro? A gente não sabe. Mas a ideia principal foi essa de querer apresentar, instigar a pessoa a conhecer a religião”, explica Vinicius Vasconcelos , ao falar da proposta do documentário Asé.


Sob a direção geral de Vinicius, e direção de fotografia de Lucas Araújo, o filme foi produzido como trabalho final do curso de Rádio e TV do CEET Vasco Coutinho, juntamente com outros nove alunos. Após apresentação única para a banca avaliadora e alguns convidados, o  Made in Capixaba teve acesso exclusivo ao documentário.


Ao pesquisarem o universo Candomblé no estado do Espírito Santo, Lucas e Vinicius descobriram que nunca se havia feito uma produção audiovisual sobre a religião em solo capixaba. Foi quando decidiram fazer esse registro.


Lucas e Vinicius na Mostra Colorado

Antes, foi produzido o curta Ogunhê!, que retrata o dia a dia na casa de santo Ile Asé Odé Nilá, em Vila Velha. Durante doze minutos, o vídeo questiona e esclarece alguns mitos e verdades sobre esta matriz africana, através de depoimentos de iniciados - seguidores que se prepararam para receber o seu Orixá. Ogunhê! ganhou o prêmio de melhor curta-metragem da 2ª Mostra de Curtas do Cineclube Colorado, realizada no final do ano passado. 






O documentário Asé é a extensão deste curta, retratando de forma abrangente o universo do Candomblé. Além da casa de santo Ile Asé Odé Nilá, também foram gravadas cenas em Igba Asé Igi Afefe, casa tradicional do Rio de Janeiro. “A ideia principal foi desmistificar muita coisa que a gente ouve por ai, toda a sua história aqui no Brasil”, explica Vinicius, que é complementado por Lucas: “Nossa linguagem ficou bem clara para qualquer pessoa entender”.


Tal linguagem se traduz na explicação didática e dinâmica sobre os princípios e a representação do Candomblé, explicados por quatro iniciados que também compartilham de suas experiências e vivências desde o início de sua história com a religião.


Casa de santo Ile Asé Odé Nilá, Vila Velha

Universo Candomblé


O que se vê diante dos olhos é a câmera próxima e íntima da casa, dos seguidores, das celebrações. Rituais ricos de cores, símbolos, música, dança e alegria; vivenciados por idosos, adultos, jovens e crianças de apenas sete anos de idade - já iniciadas. A dança é o movimento da reverência, expressão. E cada seguidor está em seu momento de adoração e agradecimento.



Como a prioridade era desmistificar a religião através das entrevistas, a música, uma das principais características do Candomblé, ficou em segundo plano, apesar de ainda assim ser valorizada nas imagens. “O Candomblé é cheiro, cor e música. A música é a base do Candomblé. Cada Orixá tem seu toque, sua batida. Mas a gente optou por deixar o áudio em BG por conta da falta de tempo, mas para abordar mesmo o real conceito do Candomblé”, explica.






O choque e o encantamento foram companheiros na primeira visita de Vinicius e a uma casa de santo. “Foi um novo mundo para a gente. Dá um susto na primeira vez? Claro que dá! Mas a gente vai conhecendo, vê que isso acontece por causa disso ou daquilo. É uma religião muito bonita”.


Recebidos de braços abertos pela comunidade, Lucas e Vinicius se sentiram confortáveis. Foi com o tempo e a convivência que, além de personagens e histórias, ambos fizeram grandes amizades e se conectaram com o Candomblé.





Pergunto a eles o que mudou em suas vidas a partir desse contato com a religião. “A amizade e a espiritualidade. Os amigos de lá vamos levar para sempre”, responde Vinicius. Já Lucas, recorda a alteração em seu comportamento: “Minha cabeça mudou. Se agora eu não consigo algo, eu ainda vejo o lado bom das coisas. A religião me ajudou muito”.


Asé


Sobre o cenário do Candomblé em terra capixaba, Vinícius e Lucas atentam para a visão catolicista e o preconceito enraizado. “Algumas pessoas têm medo de falar sobre o Candomblé e sofrer algum tipo de preconceito, no trabalho, por exemplo”, expõe Lucas.

Vinicius questiona: “O catolicismo predomina muito aqui no estado. Eu sou de família católica, mas não critico. Óbvio que tem coisa que eu não concordo. Tenho meu orixá, as entidades que eu sei que estão comigo. E eu pergunto: por que eu não posso frequentar a Igreja Católica e também de vez em quando o Candomblé?”.


Com o trabalho final aprovado, Lucas e Vinicius agora planejam inscrever o filme nos festivais e mostras de cinema. Em abril, será feita uma exibição na casa de santo Ile Asé Odé Nilá, para que toda a comunidade possa prestigiar. Há também um outro projeto em vista, ainda sem previsão: um documentário sobre o cenário do Candomblé em todo o Brasil.


Assim como o nome que identifica o documentário, que venha muito axé nas próximas produções dessa dupla em seu real significado: a energia sagrada dos orixás. Que estão por aí, seja na Bahia, no livro de João Ubaldo Ribeiro, em nosso Senado ou mesmo no panelaço de domingo. Asé para todos.




Ficha técnica

Título: Asé

Duração: 25min.

Direção: Vinicius Vasconcelos

Roteiro: Diego Monnerat, Jorge Ferreira, Thiago Souza e Vinicius Vasconcelos

Edição: Lucas Araujo, Vinicius Vasconcelos e Wanderson André

Direção de Fotografia: Lucas Araujo, Júlio Cesar de Paula e Wanderson André

Produção: Diego Monnerat, Nayara Vasconcelos e Robertha Gonçalves

Direção de Arte: Wanderson André

Som direto: Diego da Vitória e Juan Martins

Professor orientador: Haroldo Vidal Jr.




Ana Luiza. Jornalista apaixonada por cinema e arte, se derrete por uma história a ser contada. Guarda em seu caderno intermináveis sonhos projetos, e voilá, este é um deles! Vez ou outra faz participação especial sob o título depois de ludovico & paralelos artísticos, retratando o cenário cinematográfico do ES.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

depois de ludovico #2

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Novembro: o mês das mostras de cinema

Mês abençoado esse décimo primeiro que acaba de passar. Nosso estado brilhou com eventos cinematográficos incríveis e dignos de registro. Teremos ainda muitos eventos por vir, mas deixo abaixo um pouco do que aconteceu nesse último mês nosso de cada dia.

 
Foto:Juliana Guariza
2ª Mostra de Curtas Colorado


Realizada pelo Cineclube Colorado, em Campo Grande, Cariacica, a segunda edição da Mostra de Curtas selecionou 14 produções para serem exibidas e concorrerem ao prêmio de melhor curta-metragem, por voto popular.

O evento ocorreu no tradicional Bar do Pantera, com um público curioso pelas produções a serem exibidas e também sedentos pela cerveja gelada e o pastel de carne clássico do Pantera - recomendamos!

Foram dois dias de mostra, 13 de 14 de novembro. No primeiro, exibição dos vídeos selecionados, votação e sessão de vinil com Alex Siqueira - um dos integrantes do cineclube. No segundo dia, lançamento do documentário Mulheres do Congo, de Sandy Vasconcelos, premiação e um incrível encerramento com o pocket show do músico Edivan Freitas. Foi uma ótima sexta-feira!


Foto: Savya Alana

Cada curta exibido se superava pela variedade de temas abordados e histórias registradas. Mas foi Ogunhê!, realizado por Lucas Araújo e Vinicius Vasconcelos, quem ganhou o prêmio melhor curta-metragem desta segunda edição. O filme aborda o universo do candomblé, apresentando de perto para o telespectador as crenças, costumes e rituais desta religião de origem africana. Sobretudo, é um curta que propõe abrir os olhos sobre o que realmente é o candomblé, fugindo dos padrões e preconceitos. Entre tantos vídeos apresentados ao público, Ogunhê! se destacou pelo novo olhar ali abordado.

Foto: Savya Alana


A Mostra Curta Colorado é uma oportunidade para cineastas, documentaristas e amadores do cinema aqui no estado. Aberta para todo o público, propõe justamente evidenciar esses novos olhares e histórias, ainda às vezes invisíveis pelos cantos por onde passamos, nas ruas e cidades capixabas. Não percam a próxima edição.

Foto: Foto Divulgação



Mostra Cinema e Direitos Humanos do Hemisfério Sul
Projeto do governo federal lançado em 2006 para disseminar o respeito e o conhecimento sobre Direitos Humanos, a mostra ganhou mais território e espaço ao longo dos anos. Em sua nona edição, ocorreu em todas as capitais brasileiras, em unidades do sistema socioeducativo e embaixadas brasileiras no exterior.

Com o tema Direito à Memória e Verdade, em menção aos 50 anos do golpe militar brasileiro, a mostra trouxe para o público 32 filmes realizados em países de todo o hemisfério sul - grande novidade desta edição. A grande cineasta Lúcia Murat foi a homenageada, com a exibição de quatro longas-metragens da diretora, tão conhecida por seus filmes de abordagem social.

Aqui no Espírito Santo, o evento ocorreu no Cine Metrópolis, na semana dos dias 17 a 22 de novembro. Além das exibições, a regional capixaba promoveu debates com ativistas, cineastas e documentaristas, abordando o tema central e, claro, relacionando-o com os direitos humanos, considerado por Bolsonaro como a pasta defensora de vagabundos - só que não.

Com o Cine Metrópolis cheio na maioria das sessões e um público curioso pelos filmes exibidos, a nona edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos trouxe um diversificado e rico acervo de filmes. Produções e, acima de tudo, histórias que nos apresentam as diferentes realidades de nossos Brasis e de nosso mundo. Em se tratando de direito do ser humano, temos muito o que conhecer e solucionar.





Jornalista apaixonada por cinema e arte, se derrete por uma história a ser contada. Guarda em seu caderno intermináveis sonhos projetos, e voilá, este é um deles! Vez ou outra faz participação especial sob o título depois de ludovico & paralelos artísticos, retratando o cenário cinematográfico do ES.







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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ana conta o que aconteceu "depois de ludovico" #1

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O MIC acaba de ganhar uma nova participação especial, e adivinha sobre o quê? Cinema! Que se retire da sala quem não curte essa sétima arte, porque por aqui a gente ama. E quem vai compartilhar conosco o que sabe sobre o cenário cinematográfico capixaba é uma jornalista simplesmente apoixonada por ele (porque se tem uma coisa que não falta aqui no MIC é paixão minha gentie!).

Apresento o novo título especial "depois de ludovico", vez ou outra projetos, novidades e personagens do cinema capixaba, tudo contato e bem explicado por Ana Luiza Calmon.

Hoje vamos conhecer um pedacinho da história do cinema bem conterrânea e que explica tim tim por tim tim quem é esse tal de Ludovico!

Boa leitura!



Por Ana Luiza Calmon

Não. O nome desta coluna não tem relação alguma com o filme franco-mexicano Depois de Lúcia. Ou mesmo se trata de uma alusão filosófica ao cinema. É um nome prático e simples. “Depois” “de” “Ludovico”. Explico.

Em 1895, os irmãos Lumière inventaram o cinematógrafo e deram início à arte cinematográfica, com filmes em preto e branco, filmagens curtas e cotidianas - esta é uma parte da história conhecida pela maioria.

Bem, com o invento do cinematógrafo, iniciaram-se as produções e as exibições, que correram o mundo. Logo nos primeiros anos do cinema, em torno de 1908, aqui no Brasil, ambulantes levavam às cidades interioranas exibições cinematográficas, cujas projeções eram de baixa qualidade.

Os filmes, na época, eram cenas de paisagens, produzidas por cinegrafistas enviados de todo o mundo pelos irmãos Lumière, para colher estas imagens. No Espírito Santo, entre as cidades contempladas com essas visitas, está Alfredo Chaves. Foi nela que nasceu e passou a infância Ludovico Persici (1898-1944).



Primogênito dos 18 filhos de imigrantes italianos, Ludovico residia na cidade com a família. Trabalhava com o pai, Erasmo, na relojoaria Persici, que era famosa na região. Um garoto comum, como várias outras crianças, mas que tinha diferentes habilidades com mecânica, construindo réplicas, por exemplo, da Estrada de Ferro Vitória-Cachoeiro.

Acontece que, em 1908, quando o exibidor ambulante passou por Alfredo Chaves, Ludovico ficou impressionado com o cinematógrafo. O rapaz, então com dez anos de idade, conseguiu tirar explicações do homem sobre o funcionamento da máquina e, inclusive, levar consigo um pedaço de filme.

Esse contato, esse encanto e esse pedaço de filme, levaram Ludovico a dar a início à construção de seu própria máquina de filmar. Depois de anos de estudo, experiências vividas na belle époque do cinema brasileiro, e alguns perrengues, Persici cria, em 1926, seu cinematógrafo.

Intitulado Apparelho Guarany, a máquina filmava, projetava, copiava e media. E foi o próprio Ludovico, junto com moradores de Alfredo Chaves, quem fez seus filmes, exibidos em sua casa, em uma sessão improvisada.



Ainda em 1926, a primeira produção foi Bang-bang, um filme do gênero western, em preto e branco e mudo. Ludovico foi responsável pelo roteiro, pela produção, direção e fotografia do filme, além de atuar como cawboy. Ele também produziu imagens de fazendas, festas, paisagens e outras, assim como uma espécie de crônica do cotidiano capixaba. As obras são: Cenas de Castelo, As melindrosas castelenses passeando pelas ruas da cidade, A baratinha (primeiro carro da cidade) e Cenas de família.

Tem muita coisa para falar sobre Ludovico Persici e a efervescência que foi sua atuação no Espírito Santo e outros estados brasileiros, com ampla cobertura da imprensa - teremos tempo para isso. Mas, basicamente, a mensagem é: aos vinte e poucos anos de idade, o cara conseguiu.



Depois de ludovico, vieram outros inventores, diretores, apaixonados por cinema que fizeram acontecer aqui no Espírito Santo. Tivemos e temos muitos profissionais, filmes, salas de exibição, projetos, ideias, histórias.


Então é mais ou menos isso. Minha ideia aqui é contar o que veio e o que está vindo depois desse cara ai que passou a vida inteira vivendo para o cinema. Temos muito o que contar. E contaremos!




Jornalista apaixonada por cinema e arte, se derrete por uma história a ser contada. Guarda em seu caderno intermináveis sonhos projetos, e voilá, este é um deles! Vez ou outra faz participação especial sob o título depois de ludovico & paralelos artísticos, retratando o cenário cinematográfico do ES.
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